Certa vez, voando com um aviador bem antigo, com experiência em mais de 2 empresas, voos internacionais e tudo mais, ao final do voo me disse:
— Me passe o seu email, você é o tipo de aviador que precisa receber um material que a mais de 20 anos eu distribuo a vários copilotos.
Recebi e li atentamente o email, ele tinha uma lista com uns 9 ou 10 pontos, que não me lembro ao certo quantos eram, mas me recordo muito bem do primeiro, dizia que o copiloto deve andar sempre atrás e a direita do comandante quando em deslocamento pelo aeroporto.
Esse primeiro conselho mostra muito bem como era a relação a bordo, não era raro em algumas empresas que operavam o DC-3, alguns comandantes traziam consigo uma cortina, colocavam ela no meio do cockpit para evitar o contato visual com o copiloto.
O restante dos “Conselhos” tinham bom significado ao que eu prego aos meus alunos do Clube do aviador: proficiência, habilidades e disciplina.
Mas afinal, o que um copiloto realmente precisa para ser declarado um bom aviador?
Além das virtudes que ele precisa desenvolver em seu caminho – temperança, coragem, justiça e sabedoria – um bom copiloto precisa ser um excelente comandante.
Sim, todo copiloto precisa estar pronto em qualquer momento – desde que a experiência necessária seja atingida – a ser promovido a comandante.
Comentei isso em uma postagem anterior e volto a repetir:
Um bom faixa preta foi um excelente faixa branca.
Aviadores devem ter a ciência que somente estão em uma função – a de copiloto – eles não são essa função propriamente dita.
Independente do tempo em que esteja ou que é previsto ele ficar na posição – eu mesmo estou a quase 14 anos na função de copiloto – isso não o define como aviador.
Eu sei que no Brasil o sistema é feito somente para comandantes, base dessa afirmação é a maneira como você deve acumular horas de voo para uma licença de PLA, experiência necessária para voar uma aeronave executiva em comando, totalmente fora das boas práticas mundiais.
Mesmo assim, não importa como o sistema enxerga o aviador, o que faz diferença é a maneira como o aviador entende a sua realidade e responsabilidade perante o meio.
A segunda coisa que um copiloto deve saber executar é a sua tomada de decisão em relação as ações do comandante.
Um exemplo clássico disso é o acidente do Cactus 1549, o milagre do rio Hudson.
Nesse evento, o Comandante “Sully” realizou várias ações através da tomada de decisão dele, com um tempo muito curto.
O seu copiloto, Jeffrey B. Skiles, durante o evento realizou o que era previsto por ele, comunicando da melhor maneira que conseguia.
Após o evento em uma conversa com “Sully”, Jeffrey disse:
— Eu estava pronto para avisar você se tivesse feito algo errado.
Todo copiloto deve ter o senso de suporte, auxiliar o comandante sempre que possível com informações, percepções e indicações do que ele observa entre o que é certo ou errado para a resolução de uma situação.
Modelos de tomada de decisão diversos podem ser utilizados nesse processo: T-DODAR, DECIDE e etc.
O último dos conselhos que eu daria, é inscrever-se para a próxima turma do Clube do aviador, vou deixar um link abaixo e assim que essa oportunidade aparecer você vai ficar sabendo, existe também um outro link mas é um presente que eu quero te dar, aproveite!

Deixe um comentário